Coisa da vida
As vezes uma pessoa para na estrada da evolução para reflectir um pouco . É o que tenho feito ultimamente.
A vida tem lições por vezes duras caros leitores. Na minha caminha em direcção ao "Astro Rei" tenho deparado com vários espinhos "Humanos". Espinhos que tem como objectivo travar a minha trajectória.
Outro dia estava eu caminhando pelas ruas do Mindelo em busca de subsidios humanos (casos d´vida) para escrever as minhas crónicas. Estava no passeio da Av. Marginal observando a construção da Marina quando oiço alguém a dizer" tchi da lá."
Um vra pa tma q´uel boné (Virei para ver o que estva a acontecendo) e ví um agente da Polícia Marítima a mandar descer de uma tamareira um rapaz que deveria ter os seus 13 anos de iadade e que estava catando tamaras. Ele respondeu sem medo.
- O que é que estou a fazer de errado?
- Não te perguntei nada. Tchi da lá, jam dzeb. (Desce dali, já disse).
- Estou só catando umas tamaras para ir vender a nhã bia, lá na plurim. (Estou somente a apanhar umas tamaras para ir vender a nhã bia lá no Pelourinho.
- Não quero saber! Desce daí senão vais ver... -Diss-lhe o agente já enfurecido. A criança, sem nenhum receio retruca:
- O que é que me vai acontecer? - perguntou o menino descendo da arvore - Se fosse teu filho não o mandavas descer. Não estás preocupado se eu passo fome ou não.
O homem quando viu que o rapaz desceu da arvore deu-lhe as costas e retomou o seu caminho. Assim que ele foi embora o menino disse qualquer coisa que não percebi e voltou a galgar na arvore para dar continuidade ao seu afazer.
Nesse mesmo dia e no mesmo local presenciei outro caso:
Dois homens vinham do Cais de pesca, cada um deles tinha na mão um pequeno atum. A frente deles vinha um outro homem mais jovem cantarolando divertindo os outros dois. Este não bate lá muito bem da cabeça. Achei aquilo uma vergonha sem tamanho. Dois senhores de cabeças já prateados a divertirem as custas de um demente. Perguntei a mim mesmo onde é que vamos parar...
Infelismente vivemos em uma sociedade em que cada um faz o que lhe apetece.
Diariamente oiço que Cabo Verde é um país de desenvolvimento médio. Pergunto, será que quando falam desse desenvolvimento estão incluindo a parte social?
Numa terra onde o doente mental abunda como as Estrelas no firmamento e que a sociedade passa por eles como se nada fossem não podemos de modo algum dizer que estamos desenvolvendo.
Fico por aqui deichando este texto para reflexão.


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